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  Termelétricas - Entrevistas
  Entrevistado: Xisto Vieira Filho, da Abraget
  Data: 20/05/2015

    Os desafios da expansão térm


Executivo, que estará no Enase, que acontece em 27 e 28 de maio de 2015, alerta para os obstáculos a serem superados para garantir uma maior presença da fonte nos leilões de geração

Os investidores termelétricos foram cautelosos nos dois primeiros leilões que contaram com a participação da fonte. Pouco se vendeu em energia firme nos leilões de fontes alternativas e do A-5, realizados no fim de abril de 2015. O LFA apenas viabilizou a expansão de oito usinas a biomassa existentes. Já o A-5 contratou energia de quatro empreendimentos térmicos, sendo três a biomassa e um a gás natural liquefeito - este de maior relevância em termos de capacidade. Essa fotografia reforça a percepção de que preço-teto é apenas um fator na hora de dar o lance.

Para Xisto Vieira Filho, presidente da Associação Brasileira das Geradoras Termelétricas (Abraget), os agentes estão convivendo com uma série de riscos que comprometem uma oferta maior da fonte. Ele lista: penalizações causadas pelos despachos determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); atrasos na transmissão; necessidade de comprovar disponibilidade de combustível por um longo período. Essas e outras questões estão impondo novos desafios aos investidores.

“A importância da fonte térmica em nossa matriz elétrica é muito grande, e tende a aumentar cada vez mais, tendo em vista o número crescente de fontes intermitentes, e de hidrelétricas sem reservatório”, destacou Vieira, que estará presente na próxima edição do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico- Enase a ser realizado nos dias 27 e 28 de maio de 2015, no Rio de Janeiro. Confira os principais trechos da entrevista com o executivo.

Qual a importância da fonte termelétrica na matriz elétrica brasileira?

Xisto Vieira Filho - A importância da fonte térmica em nossa matriz elétrica é muito grande, e tende a aumentar cada vez mais, tendo em vista do número crescente de fontes intermitentes, e de hidrelétricas sem reservatório. Com efeito, em situações hidrológicas desfavoráveis, como a que temos vivido já há algum tempo, as usinas térmicas, permanentemente despachadas, têm livrado o nosso sistema de problemas mais sérios de confiabilidade e continuidade de suprimento. A Abraget vem sempre defendendo uma expansão equilibrada da nossa matriz elétrica, em que os atributos de cada tipo de fonte sejam reconhecidos e valorados adequadamente, e neste tipo de expansão caberá sempre um papel fundamental à geração térmica.

Quais obstáculos precisam ser superados para que este seja um ano de sucesso para a fonte?

Xisto Vieira Filho - Esta pergunta é muito importante e nos dá a oportunidade de reforçar o que temos mencionado a respeito de algumas modalidades de penalizações e aspectos regulatórios: por exemplo, as penalizações que acompanham os afastamentos de despachos de geração determinados pelo Operador (ADOMP) são bastante severas, e, quando ocorrem situações de PLDs muito elevados, podem até se tornar impagáveis. E isto é um risco que sempre pode afugentar o investidor tradicional. Riscos de atrasos de transmissão, que agora são, pelo menos de certa forma alocados aos geradores também deveriam ser eliminados. E, muito importante, a necessidade do agente térmico ter que comprovar por 20 ou 25 anos a disponibilidade de combustível também limita muito a participação e a competição em leilões.

Qual a perspectiva do mercado de gás no curto e no médio prazo?

Xisto Vieira Filho- A expansão de geração térmica através de gás natural é uma opção excelente. No entanto, temos que acelerar ao máximo os leilões de novos poços/empreendimentos de gás, que permitirão a opção de gás onshore. E, complementando tais oportunidades, é de fundamental importância prepararmos com urgência uma expansão das possibilidades de mais fornecimento de GNL,o que efetivamente, é a única alternativa a mais curto prazo. Não podemos também esquecer da necessidade de planejamento da expansão de gasodutos, que permitirão a colocação das novas fontes térmicas próximas dos centros de carga.

Em entrevista recente, o senhor informou que a expansão do parque térmico passa pelo GNL. Explique esse ponto de vista.

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