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  Geral - Entrevistas
  Entrevistado: Augusto Salomon, Abegás
  Data: 21/06/2016

    Novo cenário à vista


 

Augusto Salomon, da Abegás: Novo cenário à vista Augusto Salomon, presidente da ABEGÁS

Por muitos anos, o setor de gás natural navegou meio à deriva. A falta de uma lei específica, de uma regulação consistente, de infraestrutura e de concorrência brecaram a expansão do segmento no país. Agora, com as mudanças resultantes da redução da participação da Petrobras no mercado de gás natural, avizinha-se um novo cenário para o desenvolvimento dos negócios. 

"Em função dessas mudanças, nos próximos cinco anos, vamos passar por um cenário de transição", aponta Augusto Salomon, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras e Gás canalizado (Abegás), que concluirá em meados de agosto um estudo sobre os impactos da redução da presença da Petrobras no mercado de gás natural. "O momento atual, de downsize da Petrobras na cadeia de gás natural, representa uma oportunidade para repensarmos o mercado", avalia.

Salomon não tem dúvidas das oportunidades que as mudanças trarão para a indústria de gás natural. Nesta entrevista exclusiva à PennWell do Brasil, o executivo destaca o potencial de uso do energético na geração distribuída e a cogeração, além do setor industrial. 

PennWell do Brasil - O mercado vive hoje o efeito de duas crises: a brasileira, econômica e política, que reduziu a atividade industrial; e a da queda do preço do barril de petróleo. Qual é o impacto que este quadro está trazendo para o segmento de gás natural?

Augusto Salomon - Este cenário tem impactado diretamente as vendas das distribuidoras de gás canalizado. Com a redução da atividade industrial, houve uma retração média de 14% no consumo de gás natural no segmento industrial no primeiro trimestre. Este cenário impacta também a aquisição de gás natural, especificamente as quantidades contratuais. Muitas distribuidoras estão sofrendo com a cobrança de take or pay e ship ou pay. O assunto já está sendo tratado junto à Petrobras, porém, até o momento ainda não chegamos a uma solução comum para a questão.

PWB - Por conta da redução do custo de aquisição do combustível, muitas distribuidoras estão reduzindo suas tarifas para os consumidores. Qual será o impacto disso para as contas das concessionárias?

Augusto Salomon - A tarifa é composta por três parcelas: custo de aquisição, margem da distribuidora e impostos. A redução do custo de aquisição impacta apenas nessa parcela específica da tarifa, portanto, não afeta as atividades de distribuição.

PWB - Em dezembro de 2010, o governo regulamentou a Lei do Gás. São quase cinco anos, e ainda não temos um mercado de gás consolidado. O que está faltando para a criação deste ambiente?

Augusto Salomon - A Lei do Gás foi elaborada em um cenário no qual o principal agente do setor era verticalizado, ou seja, atuava em todos os elos da cadeia produtiva do setor – o que dificultou a entrada de novos agentes e ofertantes de gás natural e, consequentemente, impediu um maior amadurecimento do mercado. Com a decisão da Petrobras de reduzir a participação em alguns dos elos da cadeia, temos uma oportunidade de repensar o mercado e reestruturar todo o setor energético brasileiro. Neste sentido, a Abegás contratou a consultoria Strategy& para avaliar os impactos da redução da participação da Petrobras no mercado de gás natural e o trabalho, que será concluído em meados de agosto deste ano, será levado ao Ministério de Minas e Energia (MME) com o objetivo de colaborar para a elaboração das novas diretrizes de que o mercado precisa.

PWB - Quais são ainda as principais barreiras? Quais os caminhos para vencê-las?

Augusto Salomon - As principais barreiras são a falta de diversificação da oferta (entrada de novos agentes no setor), o acesso aos dutos de escoamento da produção, unidades de processamento (UPGNs) e terminais de GNL, além da falta de medidas que incentivem os interessados em acessar a infraestrutura existente de gasodutos de transporte e a capacidade ociosa dos gasodutos, ambos já regulamentados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Acredito que o momento atual, de downsize da Petrobras na cadeia de gás natural, representa uma oportunidade para repensarmos o mercado. O governo federal terá papel preponderante na liderança das mudanças necessárias para a evolução do setor, atuando efetivamente como órgão planejador na definição da participação do gás natural na matriz energética.

PWB - Este quadro não gera oportunidades de criar políticas e incentivos para o uso em mais larga escala para segmentos como o industrial?

Augusto Salomon - Sim. E é o que temos buscado. Como exemplo, posso citar o mercado termelétrico, que foi criado para atuar como backup do sistema elétrico – solução adotada durante a primeira década dos anos 2000 – não é uma interface gás natural/energia elétrica satisfatória. Acredito que a geração de energia térmica na base é fundamental e que será cada vez mais necessária para elevar os níveis de energia garantida do sistema elétrico e, ainda, para a inserção de outras fontes renováveis. Com este modelo, criaríamos espaço para a geração distribuída e a cogeração, que são mais eficientes que as termelétricas. Outro mercado em que acredito e que teria impacto significativo na reformulação energética, pela qual esperamos, é a utilização do gás natural veicular (GNV) em veículos pesados para transporte de cargas e passageiros. O uso de GNV em veículos pesados, quando observamos o cenário atual em que o Brasil é importador de gasolina e diesel e que os projetos para a instalação de novas refinarias estão sendo adiados ou cancelados, é essencial.

PWB - Outra oportunidade, pela explosão tarifária da energia elétrica, seria ter o gás para cogeração e geração distribuída, como o senhor já apontou. O que tem sido feito neste sentido?

Augusto Salomon - No final de 2015, houve um pequeno avanço para a geração distribuída e a cogeração com a criação do Valor de Referência Específico (VRES). Esse valor define a remuneração paga pela distribuidora de energia ao gerador pela energia que ele entregar à rede de distribuição, no entanto o valor estabelecido para o gás natural não gerou o incentivo desejado pelo mercado por estar abaixo do VRES da energia fotovoltaica, o que está impedindo a concorrência entre as fontes. É importante observar que a geração distribuída e a cogeração são tipos de energia térmica garantida, conferindo estabilidade ao sistema. Além disso, a geração distribuída e a cogeração competem com as térmicas mais caras, evitando o despacho das mesmas. Foi criado pelo MME o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), que a analisa a inserção da geração distribuída a partir de diversas fontes. Nossa expectativa é que o programa trate de forma equânime todas as fontes, incluindo o gás natural.

PWB - O pré-sal foi visto como grande alavancador do uso do gás no país. Que cenário o senhor traça para isso acontecer, realmente?

Augusto Salomon - O pré-sal será o grande alavancador do mercado, mas para isso se concretizar é preciso resolver os entraves já citados como o acesso aos dutos de escoamento da produção, UPGNs e terminais de GNL, promovendo a participação de novos agentes e consequentemente aumentando a competitividade do gás natural. Assim teremos um mercado mais maduro e com capacidade para contribuir para a recuperação da indústria brasileira.

PWB - Que cenário é possível traçar para o gás natural no país nos próximos cinco anos?

Augusto Salomon - Nos próximos cinco anos, vamos passar por um cenário de transição e implementação de mudanças resultantes da redução da participação da Petrobras no mercado de gás natural. A participação efetiva do governo federal como planejador e formulador das diretrizes que nortearão o futuro do setor será fundamental para a evolução do setor.

 

Fonte: Júlio Santos, PennWell do Brasil/Abegás, jun/2016

 

 

  

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