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  GNL - Artigos
  Autor/Fonte: André Ramalho,Valor/Clipping CanalEnergia
  Data: 09/02/2017

    Estrangeiros veem oportunidades em GNL na Brasil


 

Hoje concentrado nas mãos da Petrobras, o setor de gás natural liquefeito (GNL) tem atraído a atenção de outras empresas no Brasil. Num momento em que a petroleira acena para a venda de ativos na área e o governo discute ajustes no marco regulatório do gás, ao menos quatro grupos estrangeiros já manifestaram interesse em construir novos terminais de regaseificação no país ou acessar as unidades da estatal para importar cargas de GNL. O setor, no entanto, convive com barreiras que podem dificultar os novos projetos.

 

Entre as interessadas em investir no país, o caso mais recente é da norueguesa Norsk Hydro. A companhia assinou em janeiro uma carta de intenções com o governo do Pará para construir um terminal no Estado. O objetivo é importar gás para substituir parte do consumo de óleo combustível no refino de alumina da Alunorte. Se concretizado, o projeto funcionaria como âncora para desenvolvimento no mercado paraense.

 

Em 2016, as coreanas Kogas e Grupo Posco E&C e Daewoo já haviam sinalizado a intenção de investir na instalação de um novo terminal no Ceará. A unidade, com capacidade para regaseificar 12 milhões de metros cúbicos diários de gás, susbtituiria o atual terminal de Pecém, que será desativado pela Petrobras.

 

Sócio diretor de Gás Energy , Marco Tavares, explica que o aumento do interesse das empresas no Brasil se  dá em meio às expectativas de sobreoferta no mercado mundial. As cargas importadas de gás liquefeito, que custavam em média US$ 14 o milhão de BTU em 2013 e 2014, caíram para US$ 6 o milhão de BTU em 2016, segundo o Ministério de Minas e Energia.

 

"Muitas empresas têm buscado novos mercado para desenvolver e, assim, observar o excesso de oferta internacional. Os mercados tradicionais já estão saturados", explica Tavares.

 

Segundo projeções da consultoria Energix Strategy, o mercado global da GNL deverá passar por um período de excesso de ofertas e de preços mais baixos até pelo menos 2021/2022.

 

Outra companhia que tem planos de importar GNL no Brasil é a Total, que em dezembro fechou uma parceria com a Petrobras para compartilhar o uso do terminal da Bahia, de 14 milhões de metros cúbicos diários. Na mesma ocasião, a francesa comprou 50% das usinas baianas Rômulo de Almeida (138 MW) e Celso Furtado (186 MW).

 

O caso mais concreto entre as interessadas no país é a da Golar LNG, que se uniu a brasileira Gen-Power para construir um novo terminal de GNL no Sergipe. A unidade vai abastecer a termelétrica Porto de Sergipe (1,5 gigawatts), negociada no leilão A-5 de 2015 prevista para operar a partir de 2020, mas as obras da usina ainda não saíram do papel.

 

Tavares destaca que o cenário atual, de falta de leilão de energia, e retração no consumo nas indústrias, é pouco favorável. Ele lembra também que o setor possui, ainda, algumas barreiras intrínsecas que dificultam novos terminais.

 

"O setor de gás no Brasil é complexo. O modelo de geração termelétrica é flexível e não existe um mercado secundário para absorver o gás que sobra, quando as usinas não despacham. Além disso as termelétricas geralmente absorvem apenas um terço da capacidade dos terminais, que precisam buscar outros clientes, num momento de retração econômica, para operar no ponto ótimo", diz.

 

Um exemplo da dificuldade de sustentar novos projetos no país é o das unidades de Regás do grupo Bolognesi, que abastecerão as térmicas do Rio Grande (RS) e Novo Tempo (PE). A empresa vem enfrentando dificuldades para financiar as usinas, leiloadas em 2014 e, sem clientes alternativos, os terminais também correm o risco de não sair do papel.

 

A diretoria da Energix, Ieda Gomes, espera que a iniciativa do governo de rever o marco regulatório do gás a partir do programa Gás Para Crescer , simplifique o setor.

 

"Existem barreiras regulatórias de acesso dos consumidores aos terminais existentes. Na Lei do Gás , não existe obrigatoriedade para que o proprietário do terminal dê acesso ainda que o terminal tenha capacidade osciosa", afirma Ieda. consultora sênior da Faculdade Getúlio Vargas (FGV).

 

Fonte: Clipping Canal Energia (07/02/2017)

 

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