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  Geral - Entrevistas
  Entrevistado: Pedro Litsek - Presidente da Celse
  Data: 26/06/2018

    No Sergipe, CELSE recebe três turbinas da GE


Pedro Litsek, presidente da Celse, comenta a obra na região e a chegada das turbinas 7HA

Foto: Chegada da turbina 7HA (Foto: GE) 

O Complexo Termoelétrico Porto de Sergipe I, projeto da CELSE – Centrais Elétricas de Sergipe, na cidade de Barra dos Coqueiros, acaba de receber três turbinas a gás 7HA, as mais eficientes do mundo segundo o Livro dos Recordes (Guinness). A turbina a gás 7HA é a primeira do gênero a chegar ao Brasil e, para o desenvolvimento dessa tecnologia, a GE investiu quase US$ 2 bilhões. Além disso, as turbinas 7HA são movidas à gás natural e trazem níveis de poluição 90% menores do que as usinas que operam a diesel

O Complexo Termoelétrico Porto de Sergipe I é o maior investimento privado já realizado no estado, num total de R$ 6,4 bilhões. Quando entrar em operação, será a maior termoelétrica a gás natural da América Latina. O empreendimento inclui, além da usina termoelétrica, uma Linha de Transmissão e Instalações Offshore, que contemplam uma unidade de armazenamento e regaseificação GNL e gasoduto. Para viabilizar o projeto, a CELSE assinou, em abril deste ano, os contratos de financiamento com bancos e organismos multilaterais.

Confira abaixo entrevista com Pedro Litsek, presidente da Celse.

1 - As obras de construção da Usina Termelétrica Porto de Sergipe I, da Celse, estão na metade e, agora, recebem seus principais equipamentos: as três turbinas a gás GE 7HA. Qual é o esquema montado para receber o chamado “coração” da usina? Não deve ser uma logística muito fácil de ser realizada.

A obra com essa complexidade e com este rigoroso cronograma de entrega tem que ser impecável na logística em todas as etapas. No nosso contrato, a GE é responsável pela construção da Usina e pelo fornecimento das turbinas, portanto coordenará esse processo logístico de recebimento dos equipamentos. O transporte foi feito até Sergipe em um navio, posteriormente as turbinas foram colocadas em barcaças que seguiram até o rio Pomonga. Desta localidade as turbinas seguem via rodoviária até a usina, numa operação que deve durar algumas semanas.

2 - Quais são as principais vantagens (ou diferenciais) da mais eficiente usina termelétrica do Brasil? Até porque trata-se do maior investimento privado já feito em Sergipe, no valor de R$ 5 bilhões.

Quanto mais eficiente a usina, maior sua competitividade num processo de leilão de energia. Para a CELSE foi muito importante poder contar com as turbinas da GE, pois quanto maior a sua eficiência, menor o custo variável da usina (CVU). E quanto menor o CVU, mais garantia física o projeto tem. Para o Brasil, é importante ter usinas eficientes, pois quanto mais “barata” a geração, menor a conta de luz para os brasileiros.

No caso do Nordeste, não há apenas o tema de custo da energia, há o tema da segurança energética. Nessa região há grande intermitência na geração por conta das eólicas e da presença cada vez maior das solares. A CELSE contribuirá de forma importante para a segurança energética do Brasil, e particularmente do Nordeste: são 1500 MW de energia firme injetados no sistema interligado. Com isso reduz-se o risco e blecaute e o stress nos sistemas de transmissão entre o Nordeste e outras regiões do Brasil.

O projeto também traz uma grande vantagem do ponto de vista ambiental. O GNL (gás natural liquefeito)

é uma opção muito mais limpa que o diesel, óleo combustível e o carvão, usados hoje em centenas de

termoelétricas antigas instaladas no País. Com GNL, as emissões de gás carbônico caem cerca de 90%, se

comparado com as termoelétricas a diesel. 

 

 

 

Foto: A grande 7HA (Foto: Bruno Legitimo)

3 - Como foi a concepção da usina? Vocês imaginaram criar a mais eficiente do Brasil e foram ao mercado a partir disso ou a sugestão dos equipamentos veio da própria GE?

A CELSE foi vitoriosa no Leilão de Energia Nova A-5 em abril de 2015, estabelecendo 26 contratos para entrar em operação comercial em janeiro de 2020, portanto desde o início, precisávamos de um diferencial competitivo, e a parceria com a GE foi fundamental para desenvolvermos esse projeto e termos acesso às mais modernas tecnologias. Como já dito anteriormente, quanto mais eficiente a usina, menor seu custo variável e maior é sua garantia física. Como a remuneração do investimento e o pagamento dos custos fixos do empreendimento estão diretamente associados à garantia física da usina, quanto maior a garantia física, menor pode ser a receita fixa do empreendimento. E valor da receita física é uma das principais variáveis em um leilão de energia térmica. Nosso objetivo foi trazer para o Brasil um projeto ousado, capaz de entender de forma eficiente e sustentável às necessidades do setor elétrico nacional.

4 - E para o estado de Sergipe, quais serão os principais benefícios, não só do ponto de vista da geração de energia?

Esse é o maior investimento privado já realizado em Sergipe, orçado em R$ 6,4 bilhões, e a maior Termoelétrica de Gás Natural da América Latina, o que tornará o menor estado brasileiro o segundo maior gerador de energia do Nordeste. O projeto quadruplicará a geração anual de energia de Sergipe. Além disso, estamos empenhados em levar desenvolvimento para a região por meio da geração de impostos, da empregabilidade, da contratação de empresas locais e do apoio e patrocínio a projetos locais. Há uma contribuição expressiva de recursos por meio do pagamento de impostos, tais como o Imposto Sobre Serviços (ISS), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU)  Em Junho de 2018, mobilizamos 2.600 funcionários, dos quais 60% são sergipanos. Há várias empresas do estado contratadas para trabalhar no projeto. A economia do estado gira: hotéis, restaurantes, transporte, prestação de serviços.

Em adição a CELSE pretende utilizar as “verbas incentivadas”, ou seja, por meio de renúncias poderá destinar percentuais do Imposto de Renda para projetos voltados a saúde, idosos, crianças, cultura e esporte, desde que devidamente aprovados pelo Estado Brasileiro. Por exemplo, em 2013, o Governo Federal aprovou o Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica), e a CELSE pretende utilizar estes recursos para apoiar hospitais no Estado. Outro exemplo são os incentivos da Lei Rouanet, que serão aplicados preferencialmente em Sergipe. Finalmente a empresa deve aplicar anualmente 1% de sua receita operacional líquida em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, estas verbas poderão ser utilizadas em projetos com órgãos de pesquisa no Estado, como universidades.

5 - A propósito disso, qual é a importância de contar com um parceiro como a GE em um projeto desse porte?

Nosso projeto é sem precedentes na América Latina, e o êxito de um projeto arrojado como esse depende de inúmeros fatores, como uma equipe qualificada e extremamente empenhada em superar quaisquer desafios que se apresentem, mas também dos parceiros escolhidos. A magnitude do nosso empreendimento demanda que a CELSE tenha ao seu lado empresa que está entre as melhores em suas áreas de atuação, capaz de fornecer soluções e tecnologias estado da arte, como é o caso da GE, que permitam alcançar os objetivos propostos e trazer o maior número de benefícios para o país.

6 - A usina é repleta de diferenciais, como o navio que ficará estacionado para alimentar a operação. Por essa visão inovadora, quais os próximos passos da Celse?

A CELSE foi inovadora na tecnologia trazida pela GE; na forma de obtenção do financiamento (todos os recursos são oriundos de instituições estrangeiras), acessando mercado internacional de capitais e organismos multilaterais. Até mesmo o licenciamento do navio FSRU Golar Nanook é inédito : foi a primeira aprovação da ANTAQ para registro de unidade de regaseificação com base na Resolução Normativa nº13, de 2016, que dispõe sobre o registro de instalações de apoio ao transporte aquaviário. Embora o foco agora da empresa seja concluir as obras desta usina, que começa a operar em janeiro de 2020, existe a possibilidade de construirmos mais duas termoelétricas no local, mas isso dependerá muito da oferta de novos leilões do setor energético. Além disso, temos um excedente de GNL que os possibilitaria fornecer gás para empresas interessadas em se instalar na região.

7 - E, mantendo o olhar no futuro, o que este novo empreendimento irá possibilitar para o desenvolvimento da região?

Além dos investimos trazidos para Sergipe, a geração de emprego e de impostos para a região, a CELSE abre caminho para empresas que queiram se instalar no estado, tanto com a oferta de gás como com a ampliação da visão do Estado e Município sobre as necessidades dos investidores. 

8 - Quais serão as próximas etapas da obra daqui para a frente, incluindo a montagem das turbinas?

A obra da termoelétrica está na fase de montagem eletromecânica, com mais de 50% da obra concluída. Em paralelo estão sendo instalados o sistema de ancoragem, que será acoplado ao navio FSRU Golar Nanook.  Até o começo de 2019 deve ser concluída para ter início os testes e comissionamento.

9 - Gostaria de fazer mais algum comentário?

Para o país, a iniciativa da Celse na forma da implantação deste projeto será um benchmark. Outros agentes, não só do setor elétrico, estão avaliando o modelo de financiamento levado a cabo pela CELSE. Na parte regulatória outros agentes poderão trilhar com mais facilidade o caminho que a empresa abriu.

Ainda temos desafios pela frente, por exemplo, a obtenção do REIDI para as instalações offshore e a

permissão para o alfandegamento do navio regaseificador. Estas providencias são importantes não só para

a CELSE, mas para todos os agentes que queiram desenvolver um projeto semelhante. As autoridades

brasileiras têm se mostrado muito cooperativas e esperamos seguir contando com todas elas para que o

projeto possa iniciar suas operações de forma eficaz.

 

 

Fonte: Negócios -O Globo (20/06/2018)

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