GNV Diário do Transporte 30 julho 2019

Ônibus movido a gás natural é realidade no exterior, mas mercado nacional apresenta resistência

O presidente da FPT Industrial para a América do Sul, Marco Rangel, afirmou ao Diário do Transporte que ônibus movidos a gás natural para o transporte coletivo já são uma realidade no exterior, mas o mercado nacional ainda apresenta resistência.

A desvalorização na revenda e problemas de distribuição do gás natural estão entre os principais entraves para que haja maior aceitação desta aplicação no Brasil.

Existe uma resistência dos frotistas de ônibus em comprar um veículo puramente a gás, porque depois que usar a primeira vida do ônibus, há o risco de ter que revendê-lo para uma cidade que não tem gás natural, desvalorizando, afirmou Rangel.

Segundo o executivo da fabricante e vendedora de motorizações para veículos industriais, a partir do momento em que houver distribuição do gás natural em cidades mais distantes, a resistência será menor.

A produção e distribuição de gás natural ainda é um desafio a ser vencido em nossa matriz energética. Ao longo das últimas décadas a gente vê ondas de esforços do governo para implementar uma solução energética de gás natural, mas sempre acaba esbarrando no fator distribuição, disse.

Na visão de Rangel, o ônibus movido a GNV ou biometano tem vantagens como ruído mais baixo, eficiência energética e o fato de o combustível ser renovável. Contudo, a tendência do mercado no momento é investir em eletrificação.

“Quando se fala em energia limpa, a tendência é ir para a eletrificação. Ainda assim, parece-nos que o gás natural será o mais adequado para nossa região como solução energética mais eficiente”,disse.No segmento de transporte público, a gente brinca que está voltando ao tempo do bonde e do trólebus. Nós ganhamos um prêmio na Europa com a Iveco, por um ônibus que pode se acoplar à rede e ainda tem baterias, completou.

Além disso, segundo Rangel, o ônibus parece ser um dos veículos mais fáceis de ser operado com gás natural, em vez de energia elétrica.

Muito se falava antigamente da limitação na performance, mas hoje em dia não tem mais isso, porque a gente tem os controles adequados. A eletrificação pode acontecer dependendo da equação financeira também, porque infelizmente bateria pesa muito. A gente tem visto testes de ônibus puramente elétricos que limitam a capacidade de transporte, avaliou o executivo.

ÔNIBUS MOVIDOS A GÁS NATURAL NO EXTERIOR

A FPT Industrial informou ao Diário do Transporte que, apesar de ser uma tecnologia recente no Brasil, os motores GNV já são amplamente utilizados pelos clientes da empresa em vários países ao redor do mundo, como Espanha, Itália, China e Israel, além de França, Holanda e Alemanha – países que mais utilizam esse tipo de tecnologia.

Em Pequim, na China, desde 2013 a fabricante possui ônibus GNV em operação na BPTC, empresa pública de transporte, além de vans na Europa, validando as tecnologias nestes produtos.

Além disso, em 2017, a FPT Industrial entregou 116 unidades dos motores híbridos F1C CNG à empresa pública, para serem utilizados nos ônibus de Pequim.

Segundo a fabricante, os F1C CNG são montados em ônibus urbanos híbridos de 12 metros. A potência máxima é de até 100 kW a 3500 rpm e pertencem a uma série de motores a gás natural reconhecidos no mercado.