GNV Sindcomb Notícias/AutoPapo 17 fevereiro 2021

GNV: 7 verdades e 2 mitos sobre o Gás Natural Veicular

Com instalação e manutenção realizadas em oficinas homologadas, o carro com GNV não corre riscos; gás não vale a pena para todos os motoristas

Com a constante alta dos combustíveis, os motoristas começam a estudar possibilidades de economizar. Há quem pegue carona com o vizinho, quem recorra aos aplicativos ou resolva adaptar o carro para utilizar o Gás Natural Veicular (GNV). Bom, nem sempre essas escolhas valem a pena. Listamos alguns mitos e verdades sobre o GNV.

1. O GNV é sempre mais barato – Mito!

Essa não é uma afirmação simples. O preço do metro cúbico (m³) do gás é mais barato do que o litro dos demais combustíveis. Mas o motorista deve considerar outros gastos quando resolve instalar o GNV. Colocar um kit tem um custo médio de R$ 2.800 (para os kits de 2ª e 3ª geração – em veículos fabricados até 2007) e cerca de R$ 5 mil para os kits de 5ª geração, com injeção eletrônica de gás natural (veículos fabricados depois de 2007).

É possível observar, na tabela abaixo, o valor médio do GNV no Brasil e compará-lo aos preços dos outros combustíveis:

Combustível Valor em R$
GNV 2,85
Gasolina 4,65
Diesel  3,64
Diesel S10  3,71
Etanol 2,83

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram calculados na última semana (de 16 de setembro a 22 de setembro de 2018).

O GNV rende, de acordo com a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), até 60% a mais do que a gasolina, se considerarmos o sistema mais moderno, de quinta geração.

Você pode calcular se o GNV faz sentido para você utilizando o simulador de economia da Gasmig. Para saber o valor do Gás Natural Veicular na sua região, leia a tabela:

Região do Brasil  Valor em R$ por m³
Centro-oeste 2,73
Nordeste 3,07
Sudeste 2,72
Sul 2,85

* A ANP não apresentou, na última semana, o preço médio do GNV na região norte.

Um motorista brasileiro (considerando o valor médio dos combustíveis apurado pela ANP) que anda 3.000 km por mês em um carro que faz 8 km/l com gasolina tem um custo de R$ 0,58/km com gasolina e R$ 0,29/km com GNV. Entretanto, essa é uma média de quilometragem alcançada, em geral, por veículos utilizados profissionalmente, como táxis. Em um ano, a economia representa R$ 10.561, mais do que o valor da instalação de um Kit GNV.

Na verdade, a média mensal de um carro particular é de cerca de 1.000 quilômetros por mês e, portanto, as contas são bem diferentes. A economia total gira em torno de R$ 3.520. Nesse caso, serão necessários pelo menos 18 meses para se ter o retorno do investimento com o Kit. É importante lembrar que além da instalação, outros gastos também estão ligados ao GNV, como as revisões do cilindro, a mão de obra e o registro no Detran (falamos mais sobre esse item abaixo).

2. O carro com GNV pode explodir em um acidente – Mito!

Se a instalação do kit GNV for feita de acordo com as normas, não há risco de explosão – ou combustão, se considerarmos o termo técnico correto. Quem garante é o diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves. É preciso, no entanto, manter a manutenção em dia tanto no veículo quanto nos postos de combustíveis que oferecem o GNV.

Para sua segurança, observe se o cilindro a ser instalado é de aço e não tem soldas. Realize o “reteste” do cilindro a cada cinco anos. Ao notar qualquer defeito ou vazamento, leve o veículo à instaladora homologada.

De acordo com engenheiro Luís Henrique Verginelli, os acidentes que envolvem carros a gás estão ligados a modificações realizadas sem conformidade com a lei ou a norma vigente. “O combustível (GNV) e o sistema são seguros”, garante. Se houver um vazamento, o gás se dissipa no ar e não coloca em risco os ocupantes dos automóveis.

Quando se registra uma explosão durante o abastecimento, o dono do carro, em geral, adaptou um botijão de gás de cozinha, que não resiste à pressão do GNV.

Ainda segundo o especialista, o sistema de GNV tem cerca de oito dispositivos de segurança. Na válvula do cilindro, quatro dispositivos estão presentes controlando o comportamento do gás em casos de excesso de pressão, excesso de temperatura ou excesso de fluxo. O dispositivo bloqueia um vazamento grande. Quando o cilindro é exposto a 108°C, começa a dissipar o gás para que o sistema não entre em combustão.

1. É preciso manter o tanque com um pouco de combustível líquido – Verdade!

Para garantir o funcionamento perfeito do carro e evitar danos ao sistema de injeção eletrônica de combustível líquido do veículo, é preciso manter um pouco de gasolina ou etanol no tanque. O reservatório de partida a frio também deve ser mantido com gasolina.

O diretor de combustíveis da AEA afirma que os sistemas mais modernos de injeção de gás, que já saem instalados de fábrica, têm uma pequena injeção de combustível líquido contínua. Isso para manter o sistema de alimentação lubrificado e a limpeza de válvulas em dia. O especialista acrescenta o combustível batendo em cima da válvula provoca limpeza. Para que isso seja feito com mais eficiência, o ideal é utilizar a gasolina aditivada. Sem o combustível líquido, o desgaste na sede de válvula é mais intenso.