Geral Sindcomb Notícias/Poder 360 08 abril 2021

Bento Albuquerque fala em renegociar contratos para frear preço do gás natural

O ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, disse ao Poder360 que a única forma de evitar reajustes no preço do gás natural (que terá alta de 39% em 1º de maio de 2021) é renegociar contratos com as distribuidoras e aumentar a competição no fornecimento do insumo no país.

A partir de maio, deve entrar em operação o gasoduto conhecido como Rota 3, que vai ajudar a escoar uma maior produção do gás natural do pré-sal, da plataforma continental até a costa brasileira.

Mas isso não é algo imediato. Não podemos romper contratos. Tudo terá de ser negociado. No setor elétrico já fizemos isso, e 40 distribuidoras usam o IPCA e só 16 ainda estão com o IGP-M para reajustes de preços afirma o ministro.

 

A política de preços praticada pela Petrobras antecede o governo de Jair Bolsonaro. No caso do gás natural, há reajuste a cada 3 meses levando em conta o preço do insumo no mercado internacional, a taxa de câmbio real-dólar e o IGP-M.

Segundo Bento Albuquerque, o valor do milhão de BTUs (equivalem a 26,8 metros cúbicos de gás natural) que será cobrado pela Petrobras a partir de 1º de maio será de R$ 48,80., diz o ministro. Isso equivale a US$ 8,57. E veja que em dezembro de 2019, antes da pandemia, R$ 39,54, ou US$ 9,62, diz o ministro.

Esse aumento agora de 39%, em maio, é o que determinam os contratos. Mas precisamos levar em conta vários fatores associados, como a alta do dólar e a recuperação do preço do petróleo. Além disso, estamos falando de gás natural. É importante frisar isso, pois não se trata de gás de cozinha, que é usado por mais de 90% dos consumidores domésticos, explica o ministro.

O gás natural é usado sobretudo por consumidores que recebem o insumo canalizado, como termelétricas, indústrias em geral e como matéria prima para fabricação de fertilizantes. A alta de 39% terá impacto, portanto, nas tarifas de energia cobradas do consumidor final em muitas localidades.

Estamos neste momento usando perto de 80% da capacidade de termelétricas, pois precisamos manter os níveis de água dos reservatórios de hidrelétricas. Em dezembro passado e janeiro, esse percentual passou de 90%, diz Bento.

O ministro segue confiante que o programa conhecido como Novo Mercado do Gás vai, ao longo do tempo, permitir uma maior competição do mercado e que isso levará a preços menores. Antes, só a Petrobras fornecia. Agora, já temos 8 ou 9 empresas entrando para fornecer para termoelétricas e outros consumidores, como vem acontecendo no Nordeste, por exemplo. São vendedores de gás importado, mas estimulam a competição.

E quando o Brasil poderá ter o aproveitamento da sua produção de gás natural do pré-sal, que hoje em grande parte é reinjetado nos poços? O ministro responde: Isso vai acontecer. Veja que em maio entra em operação o gasoduto Rota 3 [da plataforma continental até a costa do Rio de Janeiro], que terá condições de transportar 12 milhões de metros cúbicos por dia. O gasoduto Bolívia-Brasil, para fazer uma comparação, transporta 30 milhões de metros cúbicos por dia.

Sobre investimentos, Bento diz ter recebido notícias de inúmeras empresas, como EnevaPetroRio e Equinor: A Equinor diz ter planos de investir R$ 8 bilhões para fornecer até 22 milhões de metros cúbicos por dia. Isso ajudará o mercado a ficar mais competitivo.

O ministro enviou, a pedido do Poder360, uma lista com os preços do gás natural vendido pela Petrobras às distribuidoras desde dezembro de 2018, mês anterior à posse do presidente Jair Bolsonaro.

NO 1º ANO DO GOVERNO BOLSONARO:

 

 

DURANTE TODO O GOVERNO BOLSONARO:

Como se observa, o preço que será praticado em 1º de maio de 2021 equivale, em reais, a um aumento de 23,9% desde dezembro de 2018, antes da posse de Bolsonaro. Já em dólares a variação ficou negativa em 15,4%.

No final de 2019, o ministro da EconomiaPaulo Guedes, falava num corte de 40% no preço do gás natural. Vem aí uma abertura gradual da economia e o choque de energia barata vai derrubar 30% a 40% do preço do gás natural, o que vai contribuir para nossa reindustrialização, afirmou o ministro.

De dezembro de 2019 para cá, o aumento do gás natural foi no sentido inverso ao da previsão de Guedes, tendo registrado elevação de 23,4% (em reais). E em dólar, houve queda de 10,9%.

IMPACTO NO MERCADO

Na avaliação de Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) e articulista do Poder360, o aumento divulgado pela estatal resultará em grande impacto em toda cadeia produtiva que depende de gás natural.

Abegas(Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) divulgou nota na qual afirma que a alta será repassada para o consumidor sem que exista qualquer ganho decorrente desse aumento.

Pires afirma ser necessária uma maior concorrência na oferta e maiores investimentos no segmento de transporte da cadeia.

Diz ainda que os constantes aumentos exigirão uma maior criatividade do governo para conter reajustes nos futuro.

O mercado de gás brasileiro carece de mais investimento. Atualmente, cerca da metade do gás que sai de poços no país é reinjetada, pois falta infraestrutura para levar o insumo ao consumidor final.

A construção de gasodutos por conta da iniciativa privada não deslancha, pois é mais vantajoso comercialmente importar gás de outros países –há excesso de oferta; até a Argentina exporta para o Brasil.