Geral Sindcomb Notícias/epbr 02 junho 2021

Eneva vê potencial de 18 milhões de m³/dia de gás com substituição de óleo

A substituição do consumo de diesel e óleo combustível representa um potencial para o gás natural da ordem de 18 milhões de m³ por dia nas áreas de operação da Eneva.

Quer dizer que a gente consegue converter esses 18 milhões? Não, mas é um potencial enorme, afirma a gerente geral de Comercialização da Eneva, Camila Schoti.

Camila participou em 25/05/2021 da gas week 2021, evento da agência epbr que reúne executivos e executivas do setor de gás.

A empresa, que nasceu da integração do gás com a geração de energia termoelétrica no Maranhão, está expandindo as operações em busca de soluções logísticas e mercado consumidor para o energético.

Tem muito espaço para contribuir tanto com a interiorização do gás, quanto para trazer competitividade e reduzir o consumo desses combustíveis mais poluentes, afirma.

A executiva cita que nos estados do Amazonas, Pará, Roraima e Maranhão, apenas no consumo industrial, o potencial é da ordem de 4 milhões de m³/dia; na geração de energia, há aproximadamente 2 milhões de m3/dia.

E tem um grande nicho – esse sim que ainda precisa ser destravado – que é o segmento de transporte. Cerca de 10 milhões de m³ por dia para transporte de carga, diz.

Pequena escala antecipa criação de novos mercados

Recentemente, a Eneva começou a produzir gás no campo de Azulão, na Bacia do Amazonas. É o primeiro ativo, não apenas da empresa, a entrar em operação na região.

O projeto é baseado no transporte em pequena escala de GNL: o gás será liquefeito no campo e transportado por caminhões até Boa Vista no estado vizinho de Roraima.

A Bacia do Amazonas está isolada da rede de gasodutos de transporte; e Roraima, do grid de energia, sendo o último estado do país inteiramente dependente da geração local.

A combinação desses fatores viabilizou a contratação da térmica Jaguatirica II, a mil km de distância do campo de Azulão.

A gente tem confiança que isso é replicável para o interior do país, diz Camila.

Além da indústria e geração de energia, inclusive de autoprodutores, a executiva cita a possibilidade de atender com pequena escala a revenda varejista de GLP e GNC.

É uma forma que a gente encontrou de não depender necessariamente do avanço daquela regulação para gasodutos de transporte. O gás já existe, a tecnologia para fazer o transporte e a expertise já existem. E os clientes estão aí, afirma.

No Maranhão, a empresa opera o complexo do Parnaíba e, no Amazonas, fez a melhor oferta pela compra do Polo Urucu, no Solimões.

Sai o produtor, entra o consumidor

Camila aponta o que considera uma mudança no mercado de gás natural no Brasil, que ganhou mais um elemento a partir da aprovação da Lei do Gás.

Para ela, a redução da participação da Petrobras no setor está deslocando o foco do produtor do energético para o consumidor.

Para além de ter um grande player abrindo espaço, não me lembro de um momento como o atual, em que o cliente final estivesse tão no centro dos negócios. O cliente hoje faz parte desse processo de ancorar investimentos, detalhou.

Camila participou na manhã de 25/05/2021 do painel Investimentos em projeto de gás natural onshore no país, no segundo dia da gas week 2021, promovida pela epbr.

O painel ainda contou com a participação de Ricardo Savini, presidente da 3R Petroleum, e Renata Isfer, sócia da Petres Energia, com moderação de Fernanda Delgado, da FGV Energia.