GNL epbr 04 outubro 2021

Preço do GNL bate recorde e chega a sete vezes o valor de um ano atrás, diz a S&P Global Platts

A JKM (Japan-Korean Marker) – avaliação de preço benchmark do gás natural liquefeito (GNL) para cargas spot físicas feita pela S&P Global Platts com base no mercado asiático – atingiu recorde de US$ 34,47/MMBtu para entregas de novembro ao Norte da Ásia (JKTC). Em 1º de outubro de 2020, a JKM estava em US$ 5,163.

— De acordo com Ciaran Roe, diretor Global de GNL da S&P Global Platts, a alta do preço global é em grande parte impulsionada pela situação da Europa, que vive uma crise de armazenamento em relação às médias históricas.

— Com isso, o TTF (Title Transfer Facility, da Holanda, referencial de preço europeu) se recuperou tanto que o diferencial JKM-TTF caiu de US$ 3,20/ MMBtu há alguns dias para US$ 2,45/MMBtu para contratos de dezembro.

— Os preços do GNL na Europa têm estado acima do TTF desde junho, limitando o fornecimento marginal de GNL no noroeste da Europa e aumentando as dificuldades em preencher os estoques locais de gás.

— Os fluxos de GNL no continente europeu permanecem restritos devido à forte demanda regional e à redução da oferta local. Tudo isso combinado ao aumento da demanda por gás, devido à recuperação econômica pós-lockdowns, e também pela proximidade do inverno no Hemisfério Norte, quando a procura tradicionalmente cresce.

— Ainda segundo Roe, da Platts, os usuários da Ásia e da Bacia do Atlântico estão buscando cargas múltiplas para o 4º trimestre deste ano e 1º trimestre de 2022, aumentando a competição. Previsões de temperatura mais baixas do que a média na China e na Coreia do Sul levaram a um maior interesse de compra pelo usuário final.

— Além disso, as plantas de liquefação instaladas em todo o mundo continuam operando bem abaixo de suas capacidades, devido a problemas de fornecimento em várias instalações.

— Outra pressão sobre os preços do GNL vem da América Latina, em particular do Brasil, por causa da grave crise hídrica: as importações para o continente, aponta a Platts, dobraram em 2021, devido à escassez de energia.