GNV Sindcomb Notícias/Mobiauto 13 outubro 2021

Os perigos de usar gás de cozinha como combustível do carro

Em meio à inflação e à perda do poder de compra, brasileiros vêm usando GLP no carro para poupar dinheiro, mas prejuízo pode ser ainda maior

O combustível está caro, o poder de compra do brasileiro está corroído pela inflação e disso todo mundo já sabe. Neste momento, uma série de teses estapafúrdias são levantadas por especialistas da internet para poupar dinheiro, como misturar diesel na gasolina.

Outra é a instalação de GLP no carro. Não confunda as siglas: GLP, o Gás Liquefeito de Petróleo e famoso gás de cozinha, e não GNV, o Gás Natural Veicular, que é usado comumente nas conversões e permitido pela legislação. 

Riscos de usar GLP no carro

Em meio à inflação e à perda do poder de compra, brasileiros vêm usando GLP no carro para poupar dinheiro, mas prejuízo pode ser ainda maior

Os riscos de adaptar um veículo para rodar com GLP são vários. Vale lembrar que ele é um composto diferente do GNV. Ele é encontrado em estado líquido e originado do butano e do propano, enquanto o gás natural é, de fato, gasoso e tem como base etano e metano.

Simplificando: nenhum veículo está preparado para funcionar abastecido com GLP.

O uso do gás de cozinha como combustível é proibido por lei e as instalações desses kits são caseiras e não cumprem normas de segurança. O botijão convencional, por exemplo, é construído para ser mantido em situações estacionárias, não sendo tão resistente quanto o cilindro de GNV.

Dessa forma, pode não suportar o trabalho e se romper, colocando a vida de todos os ocupantes em risco. Para piorar, os outros componentes do sistema, como mangueiras e conexões, que são montados através de gambiarras, não têm certificação e podem vazar gás, colocando novamente todos em perigo.

Falando do veículo, este terá vida útil reduzida. Como dito acima, GNV e GLP são compostos diferentes. A instalação do último é improvisada e o motor não estará preparado para trabalhar com esse tipo de combustível.

 

Em meio à inflação e à perda do poder de compra, brasileiros vêm usando GLP no carro para poupar dinheiro, mas prejuízo pode ser ainda maior

Por ser seco, o GLP não contribui para a lubrificação como a gasolina, o diesel ou o etanol, o que é crucial para o funcionamento do motor.. Assim, o motor despreparado pode até fundir pelo atrito constante entre pistão e camisa dos cilindros. 

Já os demais componentes são mais exigidos por não serem adequados para o trabalho e se desgastam mais rapidamente.

Proibido por lei

O uso do GLP como combustível em carros foi comum no Brasil durante a década de 1980. Assim como hoje, a instalação era caseira e foi proibida pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) na resolução 673, sendo considerada infração grave com cinco pontos na CNH e multa de R$ 195,23.