Geral Sindcomb Notícias/O Petróleo 23 novembro 2021

Consumidores de gás natural são pressionados para abastecimento

Alguns consumidores brasileiros de gás natural industrial dizem que não há alternativas de abastecimento além de sua distribuidora local de gás, levando-os a abandonar o mercado bilateral e ficar presos à certeza do mercado regulado conforme o mercado se aproxima de sua abertura prevista para 2022.

Com a Petrobras mantendo sua própria produção para clientes anteriormente comprometidos e para seu próprio consumo na geração térmica , menos gás está disponível no mercado brasileiro. Alguns produtores de gás natural do país estão se voltando para distribuidores locais para vender sua produção.

De acordo com a nova lei do gás, a Petrobras não poderá comprar gás na cabeça do poço de outros produtores, dando a esses produtores acesso aos consumidores diretamente por meio de contratos bilaterais, como parte da abertura do mercado. Mas isso é difícil no ambiente atual de altos preços globais e incerteza regulatória local.

No mercado de contratos bilaterais, vemos dificuldades em encontrar abastecimento, disse à Argus uma fonte com conhecimento do mercado de aquisição de gás natural. Os compradores estão tendo dificuldade em encontrar quem possa vender em contratos bilaterais. Quem tem gás para vender está vendendo diretamente para as distribuidoras locais, e não quer fechar negócios neste momento com o consumidor do mercado livre.

Lucien Belmonte, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), disse que ainda existem poucas opções para o consumidor de gás industrial além das distribuidoras locais.

Entre os obstáculos que os consumidores enfrentam estão o baixo suprimento doméstico de gás, as dificuldades para obter gás da vizinha Bolívia e o controle da Petrobras sobre o fornecimento de GNL importado. As incertezas quanto ao fornecedor de último recurso e a falta de mecanismos de liberação de gás dificultam a migração do mercado regulado para o bilateral, disse Belmonte.

Os compradores estão presos em todas as frentes”, disse ele. “O Brasil ainda não tem um mercado de gás, com condições adequadas.

OS PREÇOS DO GÁS NATURAL SÃO UMA BARREIRA PARA A TRANSIÇÃO

Os altos preços do gás nacional e internacionalmente em meio à crise global de energia são a questão-chave que torna a aquisição de gás um trabalho árduo, dizem alguns participantes do mercado. Existem fornecedores e ofertas de gás, mas falta gás a preços competitivos. Vemos ofertas de gás, disse um comerciante de gás à Argus. Mas o que impede os negócios é o preço.

A falta de abastecimento firme de gás com preços compatíveis para contratos de longo prazo aumenta a insegurança regulatória, tornando impossível migrar para o mercado aberto agora, diz Cid Tomanik, diretor da consultoria KE Energia.

No cenário atual não é possível migrar para o mercado bilateral, disse Tomanik. O risco é muito grande. Mas em dois ou três anos o quadro será completamente diferente. Agora é a hora de estudar o mercado.

Com os preços do gás mais baixos, mesmo as dificuldades de obtenção de gás não impediriam os consumidores de buscar alternativas melhores aos distribuidores locais. Mas os preços altos aumentam os riscos e incertezas, e os consumidores que poderiam entrar no mercado bilateral estão declarando ao distribuidor local que desejam permanecer regulamentados.

É o caso da distribuidora de gás Potigás, no Rio Grande do Norte. A empresa conseguiu chegar a um acordo de fornecimento de gás com a subsidiária local independente da PetroReconcavo, Potiguar E&P, para comprar até 236.000 m³ / d a partir de janeiro de 2022.

A presidente-executiva da Potigás, Larissa Dantas, disse que a empresa já está aumentando em 10% o consumo de gás, antes mesmo do início do contrato de fornecimento.

E os preços do gás nas distribuidoras não estão ficando mais baratos para 2022/2023. Uma indústria intensiva em gás vai sustentar um aumento de R1,5 milhão ($ 270.000) / d em seus custos de produção sob o novo preço à vista da Petrobras LNG para seu distribuidor.