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  Gasodutos - Artigos
  Autor/Fonte: Valor Econômico
  Data: 2019-10-10

    Shell cogita investir em infraestrutura de gás natural


 
A Shell está aberta a investir em infraestrutura de gás natural, no futuro, se a opção for fundamental para eliminar gargalos para escoar o gás da companhia, do pré-sal até ao mercado, disse no dia 08 de outubro, o gerente-executivo de desenvolvimento de negócios da empresa no Brasil, Guilherme Perdigão.
 
Segunda maior produtora do país, a petroleira busca consumidores para o gás que a Petrobras deixará de comprar da multinacional, como parte de um compromisso assumido com o Cade.
 
É uma oportunidade de negócios que estamos avaliando. Normalmente o investimento em midstream (infraestrutura de escoamento e transporte) está atrelado, de forma estratégica, à oportunidade do upstream (exploração e produção) ou necessidade do downstream (venda ao consumidor). Mas, quando a falta de infraestrutura passa a ser um gargalo para viabilizar nossa produção ou nossa posição de downstream, ele (o investimento) acontece, afirmou Perdigão.
 
A Shell deve, até o fim de 2019, ter sua posição reestruturada na infraestrutura de gás, no país. A companhia está em negociações finais com a Petrobras, Repsol e Galp, para a formação de um Sistema Integrado de Escoamento (SIE). O objetivo é reunir todos os gasodutos marítimos do pré-sal numa única empresa e construir um sistema integrado de forma que a estatal e seus sócios tenham participações societárias uniformes em todo o sistema. Atualmente, a Petrobras opera três rotas de escoamento até a costa do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas detém participações diferentes em cada um dos gasodutos.
 
Segundo Perdigão, o desenvolvimento da infraestrutura – e de um mercado de gás natural – é uma necessidade, para que os grandes projetos de produção de petróleo – e de gás associado – do pré-sal se viabilizem.
 
Nesse sentido, ele confirmou que a companhia participará do próximo leilão de energia nova A-6, com um projeto de expansão da termelétrica Marlim Azul (565 megawatts), em Macaé (RJ), onde a multinacional possui uma fatia de 29,9%, em sociedade com a Pátria Investimentos e a Mitsubishi. A usina, prevista para 2023, foi um primeiro passo dado pela petroleira para monetizar sua parcela de gás no pré-sal.
 
Sócia da Petrobras em dois dos principais campos do pré-sal (Lula e Sapinhoá), a petroleira é a segunda maior produtora do Brasil, com volumes de 15 milhões de metros cúbicos diários (m3/dia) – o equivalente a 11% de todo o volume produzido no país.
 
Hoje, esses recursos são vendidos para a Petrobras. A estatal, porém, se comprometeu junto ao Cade a não renovar seus contratos para compra de gás de terceiros, o que abre oportunidades para empresas como a Shell se consolidarem como fornecedoras. Para a expansão de Marlim Azul, por exemplo, Perdigão conta que a ideia é abastecer a usina com parte do gás que a Petrobras deixará de comprar da empresa.
 
Segundo Perdigão, a companhia optou por começar a monetizar o seu gás por meio da geração termelétrica porque o mercado de energia elétrica, no Brasil, está mais consolidado do que o de gás. A petroleira, no entanto, olha também para oportunidades de venda de seu gás para distribuidoras e para indústrias, no mercado livre de gás. Nosso objetivo é criar um portfólio diverso.
 
 
Fonte: Valor Econômico (09/10/2019)
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